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O melhor de tudo
Verdade, Amor, Razão, Merecimento
2010-01-19 23:05A graça de Deus é a marca distintiva, singular, única e exclusiva do evangelho que Jesus nos veio trazer - esta é a boa notícia, que Deus nos ama e nós não temos como escapar desse amor, a não ser no inferno.
EXISTE OUTRA FORMA DE VER E DE VIVER
os equívocos do raciocínio humano
Miguel Esteves Cardoso, in jornal Público, 3 de Maio 2012:
«Deus, Bem avisaste que eras um Deus invejoso e vingativo. Também sei que Job era um caso-limite: uma ameaça do que eras capaz. Nem eu nem a Maria João temos um milésimo da obediência e da resignação de Job. E castigaste-nos menos. Mas foi de mais.
De certeza absoluta que nos amamos mais um ao outro do que te amamos a Ti. Sabemos que isto não está certo. Mas foste Tu que nos fizeste assim. Admite: deste-nos liberdade de mais. Foste presunçoso: pensaste que Te escolheríamos sempre primeiro. Enganaste-Te. Quando inventaste o amor, esqueceste-Te de que seria mais popular entre os seres humanos do que entre os seres humanos e Tu. Por uma questão de tangibilidade. E, desculpa lá, de feitio. Tu, Deus, tens o pior das arrogâncias feminina e masculina. Achas que só existes Tu. Como Deus, até é capaz de ser verdade. Mas, para quereres ser um Deus real e humanamente amado, tens de aprender a ser um amor secundário. Sabemos que és Tu que mandas e acreditamos que há uma razão para tudo o que fazes, mesmo quando toda a gente se lixa, porque não nos deste cabeça para Te compreender. Esta deficiência foi uma decisão tua: não quiseste dar-nos a inteligência necessária.
Mas deste-nos cabeça suficiente para Te dizer, cara a cara, que nos preocupamos mais com os entes amados do que contigo.
Ajuda a Maria João, se puderes. Se não puderes, não dificultes a vida a quem pode ajudar. Faz o que só um Deus pode fazer: reduz-te à tua significância. Que é tão grande»
É bem verdade que Deus não precisa de advogados, mas também não deixa de ser verdade que a defesa da fé faz parte da história da fé e do próprio texto bíblico.
Alguns poderão dizer que um texto como este não merece atenção, nem que com ele desperdicemos o tempo que pode ser mais útil em outras abordagens e reflexões. Talvez tenham alguma razão. Mas pela parte que me toca sempre gostei de ouvir com atenção o que os outros dizem sobre o que creio, mesmo que não concorde, como é este o caso.
Constatamos em primeiro lugar, sem surpresa, que os que duvidam e desdenham a fé, têm mais facilidade em aceder aos meios de comunicação do que os que acreditam e prezam o seu relacionamento pessoal com Deus. Talvez outros fiquem em silêncio quando os que não acreditam falam sobre o seu ceticismo.
Não sei o que pode mover a escrita de um texto como aquele que Miguel Esteves Cardoso escreveu no jornal Público. Posso admitir que uma grande dor, uma ameaça avassaladora, uma sombra esmagadora pode estar por detrás deste desabafo.
Esta forma de ver Deus e de falar com Ele pode ser resultado de muita coisa, mas o que mais custa é que ela não corresponde à verdade do que o próprio Deus nos mostrou pessoalmente andando entre nós como homem em Jesus Cristo. Se alguém sofreu foi Ele. No caso d'Ele sem qualquer causa pessoal porque sempre viveu fazendo o bem, amando, trazendo paz e liberdade aos que com Ele lidavam, denunciando também a hipocrisia e a opressão da religião e dos profissionais religiosos.
A presente condição humana é fruto da responsabilidade humana e da soberania divina, mas ela não é definitiva. Jesus Cristo veio para mudá-la. Se tudo o que existe é este trajeto então em determinadas alturas o que nos sobra é a frustração, o absurdo, a náusea, a revolta, o vazio, o estertor, a impotência e o nada na morte. Mas Jesus veio dizer que não tem de ser assim. Toda a injustiça presente não tem de ser vivida de modo fatalista e em desespero. Movidos pelo amor do Deus que nos ama incondicionalmente podemos fazer muito para que este trajeto seja menos tenebroso, tenha muito mais luz, acima de tudo seja vivido com mais amor, generosidade, perdão e serviço.
A história de Job não acabou em desgraça, em angústia e morte. Job viu a sua condição alterada. A história termina com perdão, restauração, alegria, saúde e bem-estar. A resposta de Deus a Job não foi filosófica nem religiosa. Deus levou apenas Job a considerar as obras das Suas mãos, toda a Sua criação, conduzindo o seu coração e a sua mente à contemplação do poder e inteligência divinos manifestos na natureza.
Hoje temos muito mais do que Job teve. Hoje conhecemos a história da cruz, da morte e da ressurreição de Jesus e isso muda tudo.
Nem todas as histórias podem terminar como terminou a de Job no tempo presente, mas todas elas podem ser absolutamente distintas em termos de eternidade. Mesmo assim Job declarou antes de ver as obras de Deus e num grito não de desespero, mas de fé genuína, que ainda que ele me mate nele confiarei. Não se trata de fé cega, mas de fé iluminada pela certeza de que mesmo no meio da maior angústia, Deus é o único refúgio e a única esperança. Sem Deus é o salto no escuro e no abismo.
Já passei por momentos de grande sofrimento, já senti o peito esmagado pela dor. Sei que as minhas aflições são nada diante de tantas outras de que ninguém sabe, e são menos de nada diante da agonia no Getsémani e no Calvário do meu Jesus. Mas eu sei como Job que o meu redentor vive. Eu espero uma eternidade de felicidade suprema e não abro mão disso. Não serve de analgésico. Quando sofremos, a dor é real. Mas faz uma diferença total saber que não estamos sós e que do lado de lá os braços do Pai estão à nossa espera.
Samuel R. Pinheiro
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