IMPOSSÍVEL

06-02-2013 17:06

No passado sábado, 2 de fevereiro 2013, em família, um pouco para descontrair (?), fomos ao cinema ver o filme "Impossível". Trata-se de uma realização sobre a experiência real de uma família no ano de 2004, na Tailândia, aquando do tsunami que ocorreu a 26 de dezembro.

O filme é chocante, como chocantes foram as imagens que nos encheram as casas via televisão e internet, a propósito da catástrofe que se abateu sobre esta parte do planeta, no dia a seguir à celebração do nascimento de Jesus, a 25 de dezembro. O filme é parco em relação a tudo o que então aconteceu e no recurso às imagens que poderia apresentar sobre o desastre natural que então ocorreu.

Uma das coisas que mais me tocou é a quase ausência do espiritual, do sobrenatural, do transcendente e do divino. Preferia que ali porventura estivesse o grito de revolta de ateus, agnósticos e crentes que se interrogaram sobre onde estaria Deus no meio de tanta devastação, sofrimento, morte, devastação, catástrofe. À primeira vista Deus é o grande ausente, Há um vazio esmagador sobre o que está para lá do natural, das forças da natureza, dos homens, mulheres, crianças, bebés, idosos e famílias entregues à força cega e destruidora do tsunami. Não há uma prece, uma oração, um grito de socorro dirigido a Deus. Só a força esmagadora daquelas ondas demolidoras e as pessoas sacudidas, arrancadas, lançadas, empurradas, sem qualquer hipótese de resistência a todo aquele furor. Depois ficam os casos de felizes coincidências, de acasos, de gestos de generosidade, e a resisitência humana em meio a muito medo.

No fim da história há um pequeno vislumbre do que pode ser uma nova dimensão para os que morrem, quando a mãe em estado muito débil, antes de uma operação delicada à qual vai ser submetida em condições muito precárias, pensa ter morrido quando vê toda a sua família reunida à sua volta, pela confluência de várias coincidências - a do filho mais novo que tem necessidade de fazer "xixi", do pai que está prestes a abandonar um dos últimos espaços em que procura obstinadamento o filho mais velho e a esposa, e esse filho que numa tontura persegue o pai do qual teve um leve vislumbre e sinal pelas pernas e calções que identificou.

O filme é forte. Faz-nos pensar sobre o valor dos relacionamentos, dos afetos, dos relacionamentos, da intimidade, do amor, quando tudo se perde num abrir e fechar de olhos e se percebe que o mais importante são as pessoas, os amigos, os familiares, a esposa ou o marido, os filhos e as filhas, os pais. O nosso egoísmo precisa de um tsunami emocional, ético e espiritual que nos arranque à ilusão do materialismo e do naturalismo. Aparentemente ausente, Deus pode gritar-nos, no meio de uma catástrofe resultante da presente condição em que as consequências do pecado prevalecem.